sexta-feira, 11 de julho de 2014

Um mês de vida do blog

Só agora, no final do dia, me toquei que hoje o blog faz um mês de vida! Agradeço aos que me deram a ideia de começar isso aqui. Obrigada de verdade! Vocês não tem noção do bem que este espaço me faz. Compartilhar minhas alegrias, minhas dores, minhas decepções tem tornado os meus dias mais leves e fáceis de serem vividos. Creio que Deus já iniciou um novo tempo na minha vida e da minha família. E tudo o que nos fez chorar tantas vezes é, hoje, o motivo do nosso amadurecimento, enquanto indivíduos e família. 

Agradeço a vocês por gastarem um minuto que seja do seu dia ou da sua semana para virem aqui, lerem os meus textos e me enviarem tantas energias positivas! Isso tem realmente feito toda a diferença.

E por incrível que pareça, fechamos o primeiro mês com inacreditáveis quase 3000 acessos! Que este espaço viva ainda por muito tempo e que cada um de vocês possa se alegrar e aprender um pouquinho com aquilo que dia a dia me tem sido ensinado.

Muito obrigada!



Ainda sobre "parir"

Me desculpem a repetição deste tema por aqui, mas acho que por se tratar de um blog de mãe não existe nenhum mal nisso. Ontem, conversando com algumas amigas, falávamos sobre filhos, gravidez e parto. Naturalmente, comecei a reviver o dia do meu parto. Além de uma imensa alegria, a saudade é muito grande (e não falo isso pelo desfecho). Saudade mesmo. Do dia. Talvez até da dor. Saudade por ter participado tão ativamente do meu parto. E eu gosto muito de contar como foi o dia com detalhes. E como nunca fiz isso por aqui, chegou o momento. 

Tudo começou por volta das 04:00 horas do dia 04/04/2014. Eu, nas profundezas do meu sono, que não era mais tão profundo assim pelo tamanho da barriga, senti uma coisa estranha. Uma sensação de estar perdendo líquido pela vagina, mas, como foi só uma sensação, decidi não levantar imediatamente para checar. Aguardei mais alguns minutos e decidi finalmente levantar para saber o que estava acontecendo. Para minha surpresa, minha bolsa tinha rompido. Calmamente, acordei meu marido e expliquei o que tinha acontecido. Fui tomar banho e ele, eufórico, me perguntava se dava tempo para cortar o cabelo e fazer a barba, afinal ele queria sair bem nas fotos.   

Conseguimos nos arrumar tranquilamente, pegar todas as coisas que já estavam separadas e seguir rumo a maternidade. Eu já tinha avisado ao obstetra, aos meus pais e no caminho fui disparando mil "whatsapps" para todos os meus grupos. 

Chegamos lá um pouco depois das 05:00 horas. Fui inicialmente avaliada pelo médico da emergência, que confirmou que minha bolsa tinha rompido, mas que eu não tinha entrado em trabalho de parto. Depois da batalha para conseguir o internamento, por falta de vagas na unidade, me encaminharam para o quarto.

Por volta das 08:30 horas, meu obstetra chegou no hospital para me examinar e decidir o que iríamos fazer. Ele sabia que eu queria ter parto normal e, naturalmente, indicou que começássemos a indução com a ocitocina. E assim foi feito. Pouco a pouco as contrações começaram e foram aumentando de intensidade. Estavam comigo no hospital, meu marido, meu pai, minha mãe, minha irmã e meu irmão, que estava de plantão no hospital e volta e meia ia ver como eu estava. Durante a manhã, as contrações ainda estavam "fracas" e esparsas. 










Começou a tarde e as dores começaram a ficar cada vez mais intensas, mas no intervalo das contrações eu sentia tanto sono, que não queria levantar da cama. Meu obstetra achou que eu estava muito tempo deitada e que focava toda a minha atenção na dor. Sugeriu que eu fosse caminhar ou que fosse tomar um banho quente que isso ajudaria a aliviar minha dor. Escolhi a segunda opção e fui tomar um banho quente, com a ajuda de minha irmã, que ficou fazendo massagem nas minhas costas. Nem eu imaginava, mas o banho quente ajuda e MUITO na melhora da dor. Depois de quase uma hora no banho, fiquei um pouco tonta e decidi voltar para a cama. Depois disso, as dores retornaram em uma intensidade 10 vezes maior e ai não teve jeito. Pedi que chamassem meu obstetra, porque eu queria descer para a sala de parto. Neste momento, precisava "desesperadamente" de analgesia. Me prepararam e me encaminharam para a sala de parto. Quando lembro deste momento, é impossível não dar risada ao lembrar da calma do meu obstetra e do meu "desespero". Chegando na sala de parto ele me pergunta: "Juliana, você não quer tentar outras possibilidades antes da analgesia? Aqui tem banheira, bola suíça...". Eu prontamente respondi: " Nãããããããããoooooooo, pelo amor de Deus, eu preciso de analgesia!!!" Só que nem tudo na vida acontece na velocidade que desejamos. Ainda iam me preparar para começar a analgesia e as contrações não esqueciam de mim um minuto sequer.

Feita a analgesia lá pelas 16:30-17:00 horas, o obstetra fez o exame de toque e, para nossa surpresa, eu já estava com 9 cm de dilatação (No exame anterior, eu estava somente com 4 cm de dilatação e minha previsão de parto era para as 23:00 horas).

Não demorou muito e finalmente as dores começaram a diminuir, as coisas ficaram mais tranquilas, comecei a fazer pequenos "puxos" no momento da contração, enquanto conversávamos, contávamos piadas e ríamos. 



Até deu para sorrir para a foto!

Na avaliação seguinte, após o toque, o médico falou: "Chegou a hora! Não faça mais força! Eu vou lavar as mãos e já volto! " (fico arrepiada só de lembrar!). Fiquei na posição adequada e, naquela hora, era para valer. Ele lavou as mãos, se paramentou e falou, ainda: "Agora quando vier a contração, você vai fazer a maior força que puder". E começamos. Nesta hora, se estabeleceu um coro na sala. Meu marido, minha irmã, meu irmão e minha cunhada, todos gritavam: "Vai, vai, vai! Força!!! Já está quase lá! Já dá para ver os cabelinhos! São pretos!". 





Não consigo lembrar quantas "forças" fiz, mas sei que não foram muitas e eis que minha princesa nasceu, exatamente às 18:46 horas. Que sensação maravilhosa! Não só pelo nascimento, mas pela realização de, literalmente, "parir". As palavras me faltam. É algo simplesmente inesquecível e inexplicável. Acredito que qualquer forma de parto nos leve a esta sensação simplesmente pelo nascimento do filho. Mas acredito ainda que participar ativamente do nascimento tenha um "quê" de especial. Não me acho mais mãe ou melhor mãe por conta disso, mas me alegro muito pela minha escolha. Foi simplesmente sensacional e espero que todos os meus próximos partos possam acontecer desta forma. 

Você pode me perguntar: "Doeu?". E eu vou te responder: "Doeu, mas incrivelmente não consigo lembrar da dor! O único sentimento que ficou foi o da satisfação e da alegria por ter vivido um momento tão especial".

Vocês sabem que não faço campanha a favor de parto natural, mas posso me considerar uma encorajadora! Se deem, ao menos, o direito de pensar sobre o assunto. Garanto que, se bem assistido e bem indicado, vocês terão uma experiência maravilhosa e inesquecível!

  

sexta-feira, 4 de julho de 2014

Hoje fazem 3 meses

Hoje fazem 3 meses da maior ansiedade da minha vida. A ansiedade em conhecer a minha filha, carregá-la no colo, descobrir com quem ela parecia. Ansiedade em saber se conseguiria amamentar e como seria. Ansiedade pelo primeiro banho. Ansiedade por receber meus familiares e amigos para conhecer a minha princesa. Ansiedade por descobrir o maior de todos os sentimentos: o amor de mãe.

Hoje, 3 meses depois, minha ansiedade se foi. Conheci a minha filha, carreguei-a no colo e não descobri com quem ela parecia. Talvez uma mistura de nós dois. Não consegui amamentar. Não dei o primeiro banho. A maioria dos meus familiares e amigos não tiveram a oportunidade de conhecê-la. Mas este amor incondicional carrego sempre comigo e guardarei todos os dias. Obrigada, filha, por me permitir experimentar este sentimento! Obrigada, Deus, pela graça que me foi concedida de ser mãe. 

Desde ontem meu coração transborda de gratidão. Sabe quando você para e analisa sua vida?! Ontem eu fiz isso e descobri que só tenho motivos para agradecer. 

À Deus por seu amor incondicional, por ser presença constante em todos os meus dias. Por ter consolado o meu coração no momento em que a minha dor era insuportável. Por ser Pai e me oferecer o seu colo. Por ser amigo e caminhar ao meu lado. Por ser a certeza que a Tua presença me basta. Como diz um louvor que acabei de ouvir a caminho do trabalho: " Você me amou primeiro/ Atraiu meu olhar / Levou-me ao madeiro pra ver / Só você me amou com um amor assim / De preferir morrer a viver sem mim". 

Ao meu esposo, por ser a prova viva do amor de Deus por mim. Por ser em primeiro lugar um homem temente a Deus. Por ser íntegro e honesto. Por conseguir me olhar todos os dias nos olhos e dizer o quanto me ama. Por ser meu amante, meu amigo e meu companheiro nos momentos bons e, mais ainda, nos ruins. Por ser a minha alegria diária. Por ser o melhor pai que Catarina poderia ter. Por sermos um em Cristo. Eu te amo todos os dias e me alegro por caminhar ao seu lado.

Aos meus pais, irmãos e cunhados, me faltam palavras. Vocês foram a minha força no momento em que eu pensei que não fosse aguentar. Por terem abdicado de suas vidas para terem cuidado da minha, da do meu marido e da minha filha. Por me fazerem compreender realmente o projeto maior de Deus, a família. Obrigada por cada lágrima enxugada, por cada abraço apertado e por me sustentarem mesmo quando vocês não tinham mais forças. Vocês são a minha certeza de que o amor supera todas as coisas.

Aos meus demais familiares, o meu muito obrigada! Por terem estado conosco, ainda que distantes. Seja com uma mensagem, uma ligação ou um abraço apertado e silencioso, quando não se dizia nada e se queria dizer tudo. 

Aos meus amigos, que nunca soube serem tantos. Muitos dizem que é na dor que você reconhece os seus. Feliz por ter reconhecido cada um de vocês. Obrigada aos de perto e de longe! Não precisamos da presença física para sabermos que vocês estavam conosco. Em um mundo de tantos relacionamentos complicados, me deparo com um mar de amor. O amor ágape, aquele que não espera nada em troca. Aquele que vê na felicidade do outro, a sua felicidade. Agradeço a vocês por serem a minha família escolhida! 

Aos meus colegas de trabalhos, em especial aos meus chefes! Vocês não imaginam a diferença que o sorriso de cada um de vocês faz no meu dia a dia. Obrigada por cada abraço apertado e por me fazer sentir muito querida. Obrigada por terem me permitido retornar ao meu trabalho exatamente no tempo que precisei. Por terem se sacrificado por minha causa. Lhes serei eternamente grata.

Por fim, e, não menos importante, agradeço a você, minha filha, minha Cacá! Por ter me escolhido para lhe gerar. Por fazer nascer em mim os melhores sentimentos. Por eu ser hoje, 3 meses depois do seu nascimento, a mulher mais realizada do mundo por ser a sua mãe.

Feliz, feliz, feliz, mesmo quando a saudade dói. Feliz!

Hoje fazem 3 meses e a gratidão é o sentimento que grita dentro de mim!!!
         

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Eu vou crer no incompreensível

"Minha força esvai
Me sinto só
Tentando ver saída à frente
Só existe um caminho

Cansado estou de lutar
E eu conheço a minha dor
Só existe um caminho

Eu vou olhar para o alto
E acreditar nos teus cuidados
Vou me firmar sobre a rocha
A tempestade passará e eu ficarei em pé

Confiarei minha vida a Ti
Descobrirei o que tu tens para mim
Tua palavra não falhará
Se eu passar pelas águas
Elas não me submergirão
Só existe um caminho

Se eu olhar apenas no visível
Eu ficarei abalado

Mas eu vou crer no incompreensível
Pois o meu Deus está comigo

Comigo estás
Tu não me deixarás jamais"


(Heloísa Rosa)







Uma amiga me enviou hoje esta música. Achei muito forte! Parecia até que quem compôs estava sentindo a mesma coisa que eu ou algo parecido. Uma parte em especial me chamou bastante atenção: "Eu ficarei abalado/Mas eu vou crer no incompreensível". Sim, existem situações nas nossas vidas em que, inevitavelmente, ficamos abalados. Somos humanos, falhos e sensíveis e as circunstâncias naturalmente nos abalam. Cabe a nós decidirmos continuar andando ou ceder a tentação de nos entregar. Para continuarmos caminhando é imprescindível se firmar sobre a Rocha, Jesus. 

Mas a parte que mais mexeu comigo foi a que diz:"Eu vou crer no incompreensível". Vou ser bastante sincera com vocês. Racionalmente pensando, nada, absolutamente nada que eu possa imaginar que Deus faça na minha vida e através da minha vida seja mais precioso para mim do que a vida de Catarina. Falo isso tranquilamente porque Deus conhece o meu coração e eu poderia esconder isso de vocês, mas jamais dEle. Todas as vezes que parei para pensar no que Deus queria com tudo isso e o que de maravilhoso Ele pudesse fazer, não alcancei nada que superasse ou se igualasse a alegria e a plenitude de ter a minha filha comigo. 

Fico muito feliz quando leio cada comentário, dizendo o quanto cada um de vocês tem sido tocado e transformado através da minha história, dos meus textos e da minha fé. Porém, mais uma vez, serei sincera com vocês. Isso para mim é bom, mas é muito pouco. Transformar a sua vida é muito "pouco" diante da minha dor de perder a minha filha. Penso frequentemente também sobre outros filhos e, ainda que Deus me conceda uma nova benção, nenhum deles vai preencher o lugar de Catarina ou apagar a cicatriz que já foi feita no meu coração. 

É exatamente aí que a fé faz toda a diferença. Sendo ela a certeza das coisas que não se vêem, eu sigo em frente. Pela certeza do que os meus olhos não conseguem ver e pelo que não compreendo, sabendo que é a minha limitação que não me permite imaginar algo maior do que a presença da minha filha. 

MAS EU VOU CRER NO INCOMPREENSÍVEL!!!



sexta-feira, 27 de junho de 2014

E minha eternidade durou apenas alguns segundos

Durante este período, passei por uma grande frustração e por várias outras pequenas frustrações. A maior delas foi perder a minha filha, como todos vocês já sabem. As pequenas foram várias: não ter amamentado, enquanto meu peito jorrava leite; passar VÁRIOS dias sem poder tocar ou falar com minha filha (por conta da hipertensão pulmonar, quanto mais agitada ela estivesse pior ficada seu quadro); ter alta da maternidade e ir embora sozinha e muitas outras.

Mas a "pequena" frustração que mais me marcou foi o fato de não ter podido carregá-la no colo depois do dia do seu nascimento. Não é incomum eu reviver esta frustração e sentir uma tristeza profunda. Mas foi pensando sobre isso que Deus me mostrou seu cuidado com todas as coisas. 

Sempre quis ter parto natural. Minha bolsa rompeu, mas eu não entrei em trabalho de parto. Antes, quando eu pensava em indução do parto, sempre me dava um frio na espinha. Eu achava que não ia dar conta do "tranco". Mas no dia que aconteceu, não tive muito tempo para raciocinar. Meu obstetra entrou no quarto e falou: " A ordem das coisas se inverteu um pouco. Sua bolsa rompeu e você não está tendo contrações. Vamos precisar induzir o parto!". Eu prontamente respondi: "Ok!"

Mal sabia eu que aquela decisão me permitiria viver um momento único, momento que eu teria sido privada caso tivesse optado pela cesárea. 

Acredito que vocês saibam que quando o bebê nasce de parto natural, imediatamente o obstetra o entrega para a mãe. E eu consigo me lembrar claramente deste momento. Minha princesa nasceu e imediatamente o obstetra a colocou em cima da minha barriga. Ela abriu os olhinhos e olhou nos meus. Jamais conseguirei esquecer este momento. Como um amigo me disse: "Nossa eternidade dura apenas um dia!" A minha durou apenas alguns segundos, talvez um minuto. Os segundos ou minuto mais preciosos da minha vida.

Obrigada, Pai, pela oportunidade de carregar a minha filha mesmo que por poucos segundos, talvez um minuto, e me fazer acreditar que tudo valeu a pena! 



Minha eternidade!
                           

quarta-feira, 25 de junho de 2014

E eu apenas existo...

Hoje é um daqueles dias para se apagar. Não, não aconteceu nenhuma outra tragédia. Mas sabe quando termina o dia e você sente que ele não valeu de muita coisa? Pouco aprendizado, poucos sorrisos, nenhuma gargalhada. Seu trabalho não rende. Você não consegue fazer diferença na vida do outro, seja com um sorriso, um abraço ou uma palavra de conforto. Sei lá, acho este sentimento de inutilidade e mau aproveitamento do tempo ruim. É como se eu estivesse somente existindo e não vivendo de fato. Na verdade, parece que em vários dos meus dias este sentimento de somente existir tem permeado meus pensamentos. Sabe quando você vive esperando que os dias passassem logo para que você se sinta melhor?! Esperando ansiosamente que a dor melhore e seja pura e simplesmente transformada em saudade?! Meus dias tem sido assim, no meio de uma tristeza sem fim, brotam alguns sorrisos e algumas gargalhadas sinceras, que servem como anestésico para a dor. E eu apenas existo, aguardando os dias de viver! E eu apenas existo, aguardando as manhãs de alegria prometidas após as noites de choro.  

E as lágrimas insistem em cair e o coração se mantém apertado. 

terça-feira, 24 de junho de 2014

Não, eu não sou forte

Acho que a frase que eu mais tenho ouvido ultimamente é: "Você é forte. Você vai conseguir passar por isso!". Nunca odiei tanto ouvir esta frase, porque, automaticamente, o meu pensamento era: "Nossa, como eu desejo ser fraca. Certamente as pessoas fracas tem o direito de criar os seus filhos. Como eu sou forte, este direito me foi usurpado!".

Inevitavelmente depois de ouvir tantas vezes a mesma coisa, resolvi parar para refletir. Será que eu sou mesmo forte? Ou as circunstâncias me fizeram forte? O que veio primeiro? Eu cheguei a seguinte conclusão: a circunstância vem primeiro! (me dê o direito de discordar de você, caso você acredite o contrário!). Posso falar sobre isso com um certa propriedade. 

Vamos a duas fortes situações que passei na vida que me permitiram chegar a essa conclusão. A primeira aconteceu há exatos 10 anos. Eu, na época com 17 anos, tinha acabado de passar no vestibular e tinha ido no mês de fevereiro passar as férias no RJ, onde os meus avós moravam. Infelizmente, aquelas não foram as melhores circunstâncias para um período de férias, porque a minha avó estava gravemente doente e internada no CTI. A idéia inicial era passar o mês de fevereiro e retornar para Salvador, mas como eu só tinha passado no vestibular para começar o curso no segundo semestre do ano, meu irmão sugeriu que eu ficasse no RJ enquanto minha avó estivesse no hospital para ajudar. E assim aconteceu. O que eu não imaginava era que esta estadia duraria 6 meses. Sim, eu passei 6 meses morando em uma cidade que não era a minha, longe dos meus pais, dos meus irmãos e dos meus amigos, me revezando diariamente com o meu avô para que um de nós estivesse no hospital para dormir com minha avó. Sim, ai você pensou: "Nossa, como ela é forte! Tão nova e conseguiu enfrentar uma situação tão difícil!". Não, eu não sou forte. As circunstâncias me fizeram forte. Primeiro eu fui exposta a uma situação e precisei enfrentá-la, para dai então ser considerada forte. A forma como eu encaro as circunstâncias é que me fazem forte. Eu poderia ter simplesmente desistido, ligado para casa e pedido a meus pais que comprassem a minha passagem de volta. Prontamente entraria no avião e retornaria para a minha realidade! Enfrentar a situação foi o que me fez forte. 

A segunda situação é a que estou vivendo agora com a partida da princesa Catarina. Ninguém, absolutamente ninguém está "preparada" ou tem força para enfrentar a perda de um filho. Você não se faz forte para enfrentar a perda de um filho. A perda do filho é que te faz forte. A circunstância me foi imposta e, desta vez, eu não tive a opção de pegar um avião e "fugir" para a minha zona de conforto. Eu fui obrigada a enfrentar a situação. E a forma como eu a encaro é que me faz forte. E hoje eu posso dizer: "Não, eu não sou forte. Eu estou forte, porque as circunstâncias me fizeram assim!". A sua forma de encarar os problemas é que determina a sua força. Porque a Bíblia diz:" E disse-me: A minha graça te basta, porque o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, me gloriarei nas minhas fraquezas, para que em mim habite o poder de Cristo." 2Cor 12:9. Na sua fraqueza e não na sua força é que se aperfeiçoa o poder de Cristo sobre a sua vida. Não, eu não sou forte. O poder de Deus se aperfeiçoa na minha vida e tem me permitido seguir em frente. As circunstâncias me fizeram forte. O poder de Deus, aperfeiçoado na minha fraqueza, me fez forte.